Tiago Aires foi, na Elite masculina, o vencedor do Troféu de Orientação do Minho, que decorreu a 21 e 22 de Fevereiro nos mapas de Lamas (Gerês) e Serra da Cabreira. Na Elite feminina, a vitória coube à finlandesa Saila Kinni, mas Raquel Costa, também do Gafanhori, cotou-se como a melhor portuguesa.

Dois outros representantes do nosso clube estiveram em evidência na Elite masculina: Tiago Romão foi 2º no sábado e Manuel Horta foi 3º no domingo. Mas a desistência de ambos numa das etapas acabou por ditar classificação menos honrosa.

Fora das nossas cores, é justo destacar a vitória de Luís Silva, da ADFA, na Distância Média de sábado, com uma vantagem de 13 segundos sobre Tiago Romão. Mas a regularidade de Tiago Aires (3º no sábado, 2º no domingo) acabou por fazê-lo impor-se a toda a concorrência, deixando atrás de si o bielorrusso Sergej Fedatsenka, o brasileiro Fábio Kuczkoski e o finlandês Jussi Suna.

 Outra nota que apraz registar é o 5º lugar da geral ME conquistado por um atleta que tem brilhado sobretudo na Ori-BTT, João Ferreira, do Clube de Aventura da Bairrada (ex-Recardães).

 

Regressos que se saúdam

A dupla jornada do Gerês proporcionou o contacto com dois dos melhores terrenos de montanha que temos em Portugal. E temos tantos, como no Vale do Rossim, em Sátão ou Aguiar da Beira. Os estrangeiros que nos visitam regularmente não se cansam de maravilhar-se com a diversidade de terrenos que existe neste pequeno país. Uma riqueza que a alguns de nós nos passa às vezes despercebida.

No sábado, à vista da Calcedónia, correu-se numa zona muito pedregosa mas aberta; domingo, no coração da Cabreira, predominaram os bosques mais cerrados, com bons apontamentos rochosos e algumas zonas de vegetação rasteira que retardavam a corrida.

Dificilmente poderíamos ter sido mais felizes com as condições atmosféricas. Pode dizer-se que as cerca de 30 horas em que decorreram as três provas (houve um sprint no sábado à tarde), constituíram uma janela de bom tempo entre chuva e nevoeiro. Apesar do frio, as manhãs estiveram secas e com um bonito sol no sábado, mas sexta-feira ao fim da tarde havia chuva e nevoeiro, e esse cenário voltou a instalar-se mal terminou a prova no domingo.

Foi, portanto, um fim-de-semana gratificante para a caravana do GafanhOri, onde se saúda o regresso de Fernanda e Jorge Rodrigues, que já não víamos desde Ansião. Além do apoio à famosa “tenda dos crepes”, o casal fez um dos percursos abertos no sábado. Agora só falta mesmo a Rita Rodrigues conseguir convencer o mano Alexandre, para a família fazer o pleno.

Família completa foi já a dos Reto, com o jovem Miguel a voltar às suas boas prestações, viajando de novo com a mãe Alexandrina, que um percalço de saúde manteve arredada deste nosso desporto desde a prova de Coruche (10 de Janeiro).

Outra presença festejada foi a de Manuela Mariano, que competiu no sábado e integrou no domingo a equipa dos crepes, onde a filha, Inês Catalão, mantém a imagem de marca no momento fundador desta iniciativa (31 de Janeiro, Vale da Silvana, NAOM). Quem gostaríamos de voltar a ter nestas lides (não no rolinho de estender a massa, mas de mapa e bússola em punho) era o jovem Gonçalo. Sempre queríamos ver se é verdade que já ultrapassou o metro e setenta de altura. E, já agora, se ele conseguisse arrastar também o pai Abel, seria mais um motivo para nos congratularmos.

A vertente competitiva é, naturalmente, a razão maior destas nossas deslocações, mas o convívio é fundamental também para cimentar o espírito de clube. Quem participa nos jantares de sábado e viaja no autocarro que o Município de Arraiolos faz a justiça de nos disponibilizar, quem apoia a confeção dos crepes ou simplesmente monta arraial nas imediações da nossa tenda – quem mantém oleados todos esses elos desta cadeia sente que o GafanhOri volta a afirmar-se como uma família com futuro. Foi reconfortante a sopinha da mãe Catalão, foram divertidas e proveitosas as muitas conversas durante a longa viagem de regresso, da Cabreira até Arraiolos.

Para que não caia no esquecimento, fica aqui o registo dos resultados dos nossos atletas nesta prova do Minho:

  • Miguel Reto – 3º M12 
  • António Horta – 17º M18
  • Tiago Aires – 1º ME
  • Tiago Romão – 17º ME
  • Manuel Horta – 18º ME
  • Raquel Costa – 5ª WE
  • Rita Rodrigues – 10ª WE
  • Daniel Reto – 21º M21A
  • Alexandrina Reto – 9ª W21B
  • Cristina Santos – 5ª W35
  • Jerónimo Reto – 10º M45
  • Isabel Barra – 12ª W45
  • Manuel Dias – 12º M50
  • Assunção Almeida – 14ª W50
  • Custódio Sebastião – 19º M60
  • António Reyes – 20º M60
  • Cathy Dawson – 7ª W60
  • Roy Dawson – 7º M65
  • Grigas Piteira – 6º DC
  • Maria Adelaide – 10ª FL
  • Manuela Mariano – 11ª FL
  • Fernanda + Jorge Rodrigues – 12ºs FL

 

Correr no “Fácil” e ganhar no “Difícil”

Falta mencionar as classificações da Inês Catalão e Joana Palhinha, que no sábado ocuparam as duas primeiras posições em Fácil Curto, mas que no domingo competiram em Difícil Curto. No conjunto dos dois dias apareceram, erradamente, classificadas em 1º e 2º lugar de DC. O verdadeiro vencedor desse escalão foi um inglês que surge em 3º, porque no sábado fez 70.19 realmente em DC contra os 14.09 e os 16.32 da Inês e da Joana em FC, tempos estes que, por erro do sistema, foram transportados para DC, reduzindo a percentagens insignificantes todas as pontuações dos demais competidores.

Neste escalão, aliás, há pelo menos outro equívoco estranho. André Baptista (GD4C) correu no sábado em M21A, classificando-se em 20º lugar, com 1.06.10, mas esse tempo, erradamente transposto na classificação geral para DC, atribui-lhe o 3º lugar na 1ª etapa deste escalão, logo atrás da Inês e da Joana e, portanto, à frente do verdadeiro vencedor, o britânico Dave Dorling, que, num percurso manifestamente desajustado, gastou 1.10.19.

Não sabemos como é que o inglês encara esta “despromoção”, mas as nossas meninas não se mostraram afetadas com o equívoco. A Inês continuou a exibir o seu sorriso encantador e a Joana foi vista, na viagem de regresso, a ler um dos romances mais maravilhosos da literatura universal. Quem for curioso tem um bom pretexto para meter conversa com ela na próxima prova.

 

16 provas em 23 dias

Com a realização do Troféu do Minho, terminou a maior concentração de provas do calendário português de orientação neste ano de 2015. No espaço de 23 dias disputaram-se 16 etapas, com 10 delas a contarem para a Taça de Portugal pedestre, ou seja, um terço do ranking TP.

NAOM, Idanha, POM e Minho proporcionaram 10 provas de floresta (4 médias e 6 longas), 4 sprints urbanos, 1 sprint relay e 1 PreO. De salientar que 4 destas provas figuram no WRE, o que justifica a afluência ao nosso país de muitos dos melhores praticantes a nível mundial.

A par da qualidade nas Elites, verificou-se também uma participação maciça de veteranos, sobretudo no POM, que, de 14 a 17 de Fevereiro, decorreu em dois concelhos do litoral: Mira e Vagos. O recorde de participações (mais de 2200 inscritos) não é certamente alheio ao apelo do mar. Não falta entre nós quem pense que esse facto talvez não devesse ser ignorado na atribuição de futuras edições da nossa prova rainha.

Veja-se, por exemplo, que só os países nórdicos, com 744 inscritos, trouxeram ao POM mais participantes do que o conjunto dos portugueses (622). E, se juntarmos os 145 suíços (um país sem fronteiras marítimas) e os 180 britânicos (desde sempre seduzidos pelo sol e as areias de Portugal), mais se acentua a importância desse fator. 

 

O POM dos nossos Tiagos

O GafanhOri deixou marcas de sucesso também no POM. Tiago Romão, 29º entre 110 concorrentes, foi o melhor português da Super Elite Masculina (MSE). Tiago Aires, 6º entre 107 concorrentes, foi o melhor português da Elite Masculina (ME) e acrescentou a esse seu resultado a vitória na última etapa. Ainda em MSE brilhou Manuel Horta, que, ao cabo de três etapas, saiu para o chasing start como o melhor português, com 1’.44” de vantagem sobre o Romão. Teve, porém, a infelicidade de desistir nessa derradeira etapa.

A outra grande figura do GafanhOri neste POM foi Raquel Costa, que, com o 47º lugar, se cotou como a melhor portuguesa entre as 122 concorrentes da Elite feminina. Rita Rodrigues foi 62ª.

Nos restantes escalões, os nossos representantes tiveram as seguintes classificações:

  • António Horta – 48º M18
  • David Águia – 22º M21B
  • Grigas Piteira – 30º M21B (só 2 dias)
  • Jerónimo Reto – 39º M45
  • Manuel Dias – 23º M50
  • Assunção Almeida – 57ª W50 (só 2 dias)
  • Norman Jones – 55º M60
  • António Reyes – 72º M60
  • Custódio Sebastião – 81º M60 (só 2 dias)
  • Cathy Dawson – 21ª W60
  • Roy Dawson – 12º M65
  • Sinikka Ovaskainen – 30ª W65
  • Jorma Ovaskainen – 43º M70
  • Domingos Martins – 32º DC (só 2 dias)
  • Maria Adelaide – 51ª DC (só 2 dias)

 

Roy Dawson triunfa no Cidral

No Meeting de Idanha, que incluiu uma Média e uma Longa no Cidral (Monsanto), a 7 e 8 de Fevereiro, Manuel Horta foi o melhor português da Elite masculina, com o 11º lugar entre 43 classificados. Aires e Romão (cartógrafo e traçador) não puderam participar, o mesmo acontecendo com Raquel em WE (cartógrafa). Entre os veteranos, o grande destaque vai para a vitória de Roy Dawson em M65, à frente de Vesa Turku e de mais oito estrangeiros. O primeiro português classificou-se em 11º lugar.

Segue a lista completa dos resultados do GafanhOri neste Meeting Internacional de Idanha-a-Nova.:

  • Manuel Horta – 11º HE
  • Rita Rodrigues – 12ª WE
  • Inês Pinto – 15ª WE
  • Daniel Reto – 9º M21A
  • Domingos Martins – 18º M21A
  • Jerónimo Reto – 17º M45
  • Manuel Dias – 3º M50
  • Assunção Almeida – 3ª W50
  • Norman Jones – 12º M60
  • António Reyes – 14º M60
  • Cathy Dawson – 3ª W60
  • Roy Dawson – 1º M65
  • Beatriz Charneca e Joana Palhinha – 2ªs FL.

texto por: Manuel Dias

fotos por: Portugal "O" Meeting